Arquivo de memórias

hoje terias 45 anos, “olhos sem cor”

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , , , , , , , , , on Outubro 22, 2010 by João Carvalho

caiu uma noite de cimento
por cima dos teus olhos
e o tempo está quieto
faz horas que ali está
uma árvore talvez pudesse
arrancar uma lua dessa noite
e deixar-te a correr com o tempo
devagar
caiu uma noite sobre a tua árvore
e o tempo está quieto
o tempo está quieto
e tu passas  e abres ramos
tu passas  e abres olhos
devagar  sem cor

(2006)

pela tua mão

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , , , , , on Setembro 27, 2010 by João Carvalho

hoje devia haver uma tarde azul de chuva no teu cabelo
às 18h horas em ponto devia chover como em Abril
hoje devia ser já Primavera neste Outono
haveria água das tuas mãos a cair em gotas como beijos de criança
eu haveria de ficar e perguntar pelo teu nome
(e fugir do nada do frio da noite)
e descobrir que o tempo dos teus olhos esteve em mim
eternamente
pois te vi sorrir como não há mulher que o faça assim

hoje um calafrio sentiu o coração de um homem
e um vendaval deseja atravessar um parque caído de folhas tristes
pela tua mão

20 anos…

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , , on Setembro 7, 2010 by João Carvalho

 

“olhos sem cor”…

 

desenhos #1

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , , on Agosto 26, 2010 by João Carvalho

s/ título


s/ título


s/ título


s/ título

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , , , on Abril 12, 2010 by João Carvalho

O silêncio tem 295 km de auto-estrada
E à noite depois de tudo feito e pronto para o dia seguinte
jantado e tu a dormir meu filho
falta para atravessar um túnel com malmequeres
onde tudo te era novo e eu contava candeeiros
e tu contavas viadutos
e chegados a casa tu tinhas sempre mais
porque os viadutos como combinado valiam a dobrar

Agora dormes
Desculpa meu filho desculpa o vento frio e
os meus olhos mortos na estrada
apenas para não chegar nunca a tempo
do meu coração te parar de crescer

Regent’s Park

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , on Novembro 24, 2009 by João Carvalho

Uma mulher tem frio
nota-se a pele de galinha
o tempo marca   também
podem ser rugas

Uma mulher usa os olhos e palavras acontecem
quebram vidros

Uma mulher tão bonita e dias compridos
são esperados
a tarde não morre
o Outono chega
a sua pele são folhas
o Verão cai
e os cabelos

   os cabelos é o frio em Londres
em Regent’s Park
na páscoa
encostar-me a eles

sainete

Posted in só na minha cabeça with tags , , , , on Outubro 29, 2009 by João Carvalho

Durante anos a ouvi. Ainda hoje, fechando os olhos, consigo ouvi-la. Ainda sem muito me esforçar, consigo ver a expressão dos olhos e da cara, quando ela a dizia. Só ela a dizia como ninguém. Sempre no momento certo, com um sorriso e gosto de quem é dono de certas palavras. De quem cresceu e viveu com certas palavras, sem peneiras e falsos modos. Nunca a ouvi dizer a mais ninguém. Nunca mais a ouvirei dizer. Nunca mais a ouvirei.
Hoje a Ana trouxe-ma de volta. Não conheço a Ana. Nunca mais vou deixar de ler a Ana. Espero que ela não deixe nunca de escrever.