queria roubar as tristes palavras mudas

queria roubar as tristes palavras mudas
que alguém deixou no teu coração
e deixá-las cair como folhas secas no chão dos plátanos
em pleno agosto
haverá um tempo em que as tuas mãos virão cheias
fazer uma colcha de árvores no meu abrigo
haverá um tempo com um sol de trapos coloridos
a romper pelos teus cabelos soltos
(que os queria sempre soltos na manhã)
haverá um tempo em que a juventude será o teu nome
haverá um tempo em que terei de partir um dia
mas até lá amor meu até lá
os frutos maduros do verão serão os teus lábios
e palavras não virão do chão crescer vazias
deixa o tempo fazer-se chuva dentro de ti
e a noite que tens só e triste morrer em tempestade
depois virás dizer-me da tua vida que ficou
eu estarei aqui rente ao inverno preparado
com todas as folhas do outono a arder nos meus olhos
e os meus braços abertos fechados sobre ti

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