otite

Isso é coisa de criança. Acha? E fica-se surdo, não se morre, da gripe sim morre-se, e de atravessar a estrada distraído também. Fica-se surdo sim, é o que vem na net. Aliás, todas as maleitas deste mundo vêm na net, depuradas de todas as impurezas do significado ficam os significantes, os suficientes e os acessórios para nos transportar para uma morte, pelo menos psíquica, em breve mas não necessáriamente rápida. Procuramos ávidos a cura e dão-nos a experiência do mal, aquilo que já temos, a purulência liquída afinal.

Depois, desliga-se o ser digital, afinal estamos na província, e pede-se um médico ao domicílio, que 10€ não é nada e já é tarde e noite e faz chuva e vento e estamos na província e nem pensar fazer 15km para ir apanhar doenças ao centro de saúde (que ainda nos mandam ao hospital a Torres), é deixá-las lá com todos os seus significados e respectivos sintomas significantes. Entre sofrer e ser maluco mais vale uma morte significativa, uma otite.

O médico, não o velhinho Ataíde de outra provincía que esticava a conversa entre auscultações rigorosas e o tempo do termómetro dar a febre – nesse tempo fazia sentido a expressão “médico de família” – fez valer o seu euro por minuto e além de fumador inveterado, é adepto dos antibióticos, mais vale dar 2 ou 3 tiros do que 5 ou 6, palavras dele, e eu obedeci e encharco-me a ver o que vai dar.
Posso morrer? a net talvez até diz que sim, ficar surdo, eu sei lá, mas não ouvir, até pode ser uma benção para um ateu. (Coisas bárbaras que escrevo.)

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