a turba (*)

A turba entra contente, canta, dança, grita, entra confiante. A turba está contente consigo. A turba tem razão, a turba não erra. A turba exulta. A turba acalma. A turba cala-se. A turba não gosta da outra turba. A turba assobia, chama “filhos da puta!” (qual o interesse de o fazer se os outros são bósnios?). Invertem-se os turbantes, os cânticos, os gritos, a confiança vêm da outra turba. A turba reage, a turba contraria a turba que contraria a turba que responde à turba que nega a turba que grita. A turba tudo perturba. A turba é a negação da razão. A turba tem medo, a turba é o medo.

Estádio da Luz: Portugal - Bósnia

Ontem fiz parte da turba e não gostei. Não gostei porque o futebol sem paixão esteve ali no relvado vestido de vermelho (e de fato e casaco). Nas bancadas a turba apaixonada confiou, e perto do final gemia, pedia que tudo terminasse rapidamente. No futebol há três lados: os outros e nós; o terceiro, é o orgulho, que afinal é aquele que oscila entre nós e os outros,  o orgulho,  que no final de tudo, temos de sentir na justiça do resultado. Só isso poderá justificar que durante 90 minutos possamos fazer parte da turba e deixar os nossos mais básicos (bárbaros) instintos exultarem.

(*) mais uma vez alerto que este blogue não fala sobre futebol.

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