sainete

Durante anos a ouvi. Ainda hoje, fechando os olhos, consigo ouvi-la. Ainda sem muito me esforçar, consigo ver a expressão dos olhos e da cara, quando ela a dizia. Só ela a dizia como ninguém. Sempre no momento certo, com um sorriso e gosto de quem é dono de certas palavras. De quem cresceu e viveu com certas palavras, sem peneiras e falsos modos. Nunca a ouvi dizer a mais ninguém. Nunca mais a ouvirei dizer. Nunca mais a ouvirei.
Hoje a Ana trouxe-ma de volta. Não conheço a Ana. Nunca mais vou deixar de ler a Ana. Espero que ela não deixe nunca de escrever.

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