negócio ou literatura?

Embirro com algumas pessoas. De entre estas, embirro com alguns escritores, e, por isso, vão-me passando ao lado os livros e histórias que vão escrevendo. Agustina é uma desses casos, o Sousa Tavares outro e o Francisco José Viegas um outro, muito mais recente.
De Agustina nunca nada li, precisamente devido a esta aversão que não sei explicar, e que é certamente despropositada. Talvez porque sempre a confundi com Vera Lagoa fundadora de O Diabo. Mas é uma aversão que se vai esfumando com o tempo e sei que lerei profundamente os seus livros, um por um, por ordem cronológica, como se a acompanhasse pelo tempo e pela escrita, que, diga-se, é tudo, menos forma de se ler um escritor [isto de se ler um escritor também é assim qualquer coisa sem muito sentido, digo eu].
Em relação aos outros dois desconfio. Do primeiro, porque vejo gente (mulheres sempre) no comboio com o Equador metido em sacos de plástico, assim como se fosse a sandes de fiambre que não tiveram de tempo de comer ao pequeno-almoço em casa; retiram-no quando se sentam para iniciar a viagem, e guardam-no só no final sem nunca desviarem os olhos do dito calhamaço. Desconfio de livros que são metidos em sacos de plástico por mulheres que andam em comboios sub-urbanos e que não se dignam a olhar sequer a vida pela janela. Portanto, para o Miguel Sousa Tavares apenas tenho paciência para as crónicas de jornal, quando compro o jornal.
Do segundo, do Francisco José Viegas, desconfio apenas. Não conheço ninguém que tenha lido algum dos seus livros, como também não conheço ninguém que não o tenha feito por algum motivo em especial. Também desconfio que ele estaria à espera do Nobel para o tal Sr. Bolaño. O único que leio com agrado são as crónicas do Dr. Homem (filho), mas diga-se, o agrado surgiu antes de saber que um seria o outro, e agora, sinto-me enfastiado, e para já, não volto às bandas de Moledo com o mesmo entusiasmo de antes. A inveja é uma coisa feia, de facto. O Francisco José Viegas faz muita coisa e está em quase todo o lado neste nosso mundo literário. Quando o Francisco José Viegas, elogia um determinado livro no seu blogue, fico sempre com a dúvida das razões porque o faz, será porque o livro é bom?, será porque o livro é editado pela sua editora?, as duas coisas ao mesmo tempo?, será porque o escritor é bom? Quando coloca na capa da revista que dirige o autor do mesmo livro que elogiou no seu blogue, entretanto também elogiado por outros blogues amigos, editado pela sua editora, fá-lo devido aos elogios dos críticos, entre os quais ele, ou fá-lo porque o livro e autor são mesmo bons e devem ser lidos? É difícil perceber onde acaba a promoção, onde acaba o negócio, e onde começa a literatura. Por isso eu desconfio. Não compro e não leio. A não ser o tal Dr. Homem (filho).

(Em relação ao dito livro, 3 das melhores críticas ao estúpido frenesim à volta do mesmo estão, aqui aqui e aqui)

Anúncios

Os comentários estão fechados.