intermarché

Tudo tão limpo e aprumado, claro e fresco, no ar que se respira abunda uma frieza inodora, as prateleiras arrumadas e os corredores largos. Não me encontro, não encontro o que quero, ando às voltas e o cesto continua vazio. Vou comprar fiambre, quero reservar a minha vez e encontro não sei quantos botões, depois de 1 min imóvel com ar de parvo lá carrego no que diz “Charcutaria”, a senha sai em baixo, lembro-me da loja do cidadão, tento encontrar o painel para verificar a vez, um grande ecrã passa todo o género de informações excepto o nº da vez, olho à volta, para o painel, à volta outra vez e ouço o sinal sonoro e lá está o nº, ainda não sou eu. Espero. Aproveito para escolher o fiambre, não encontro o que quero, só vejo mortadelas de todo o género, quase que desisto, mas espero, sou atendido e levo o da perna Nobre que afinal lá está num armário lateral no meio de 255 qualidades e tipos diferentes. O miúdo diz que temos de levar iogurtes liquídos e vai buscar, também precisamos de guardanapos. Preciso de peixe mas não me apetece lá ir, não confio, há demasiadas flores por ali. Estamos ali a dar voltas há uns bons 15 minutos e decido que vamos embora. Escolho uma caixa com 3 pessoas. A rapariga da caixa olha duas vezes para mim e à 3ª diz-me, se só tem isso pode ir ali às caixas automáticas, eu fingo que não percebo, e ela repete (gosto especialmente de fazer isto – fazer as pessoas repetirem-se), se for às caixas automáticas é mais rápido, olho, são iguais às da Fnac, digo que não, que posso esperar, ela insiste e eu respondo, já viu que se toda a gente for ali você fica sem trabalho? ela hesita, engole em seco e continua o seu trabalho, muito mais lesto. No fim digo boa noite, a rapariga não responde e voltamos costas. Não volto ao Jumbo de Torres Vedras. É muito pouco intermarché.

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