no tempo das coisas inesperadas

Em 1976 (seria?), em Angola, no tempo em que as coisas vinham ter connosco, a Televisão Popular (do povo, portanto) de Angola, tal como outras televisões, emitia filmes sempre em dias certos; ou melhor, sempre no mesmo dia. Neste caso era à quinta-feira (seria?, a memória já me atraiçoa…). Era um tempo em que a televisão fechava à noite. A noite quintas-feira tornou-se assim a noite do filme, como, aliás, aconteceu com as quartas-feiras num período da RTP. Era um hábito, mas um daqueles inesperados, pois a maior parte das vezes só se sabia o filme desse dia no próprio dia, e, por vezes, o filme mudava de nome entre o momento do anúncio e o da transmissão – que não sendo muito largo ainda ssim permitia estas trocas – por motivos inesperados e técnicos. Mas não é isto que importa; o que importa é que tenho na minha memória que um desses filmes  foi “Sacco e Vanzetti” com música de Ennio Morricone. Ontem acordei com uma imagem do filme na cabeça, embora também acredite que possa não ser desse filme. Se é ou não, é algo que também não possui muita importância. O importante é a memória do filme, da história, e de tudo o que a história do filme representa. E claro, a música de Ennio Morricone.

Nesse tempo os filmes vinham ter connosco, as coisas vinham ter connosco, a história vinha ter connosco. Aprendia-se. Que melhor forma de aprender sobre a justiça, a liberdade, o racismo, a xenofobia, os direitos fundamentais?

Os miúdos de hoje, com oito anos, estão destinados ao peixinho nemo e aos bailes e cantorias de beldades que se auto-promovem e auto-pavoneiam pelo ecran televiso e de gordos a transpirar pelo país triste e em festa.

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