A process in the weather of the heart
Turns damp to dry; the golden shot
Storms in the freezing tomb.
A weather in the quarter of the veins
Turns night to day; blood in their suns
Lights up the living worm.

A process in the eye forwarns
The bones of blindness; and the womb
Drives in a death as life leaks out.

A darkness in the weather of the eye
Is half its light; the fathomed sea
Breaks on unangled land.
The seed that makes a forest of the loin
Forks half its fruit; and half drops down,
Slow in a sleeping wind.

A weather in the flesh and bone
Is damp and dry; the quick and dead
Move like two ghosts before the eye.

A process in the weather of the world
Turns ghost to ghost; each mothered child
Sits in their double shade.
A process blows the moon into the sun,
Pulls down the shabby curtains of the skin;
And the heart gives up its dead.

Dylan Thomas


*

Um processo no tempo do coração
seca a sua humidade; o raio certeiro
da tempestade atinge o gélido túmulo.
Um tempo no quarteirão das veias
torna a noite em dia; o sangue quente
onde vivos se incendeiam os seus vermes.

E os olhos previnem
os ossos da cegueira; e o ventre
mergulha na morte e a vida tem uma fuga.

Uma escuridão no tempo dos olhos
encontra-se a meio com a sua luz; o mar sombrio
quebra-se sobre uma terra sem ângulos.
A semente que dá ao bosque o seu flanco
divide em dois o seu fruto; uma metade cai,
devagar, sob um vento adormecido.

Um tempo atinge a carne e os ossos
é húmido e seco; o que vive e o que morre
movem-se; dois espíritos diante dos olhos.

Um processo no tempo do mundo
transforma um espírito no outro; cada criança
tem na sua mãe uma dupla sombra onde se senta.
Explode a lua em direcção ao sol,
arrancando em pedaços a pele envelhecida;
e o coração desiste e morre.

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Mudado para português inspirado na tradução de Fernando Guimarães; "A Mão Ao Assinar Este Papel" Assírio e Alvim 1998

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