95 channels and nothing on

Ontem vieram instalar cá em casa o serviço meo. Um homem, que tratou da parte complicada dos fios, telefones, caixas de entrada, de saída, pontos-não-sei-quê, e uma mulher que tratou da montagem dos aparelhos, box e router, e fez o apiloudi dos canais na box. Ambos brasileiros. Simpáticos, transmitiam confiança. Depois de 2 horas em que foi necessário, regressarem à central porque mais-não-sei-o-quê-do-porto estava mudo, descobrir que tinha um telefone avariado, e uns fios não sei onde tinham oxidado e que substituiram, lá ficamos com o serviço meo instalado em casa. Durante o tempo que demorou a instalação pude reparar na senhora, com os olhos atentos a certas coisas que por aqui estão penduradas nas paredes e móveis, mas uma atenção não de curiosa e de cuscovelhice, mas sim de um certo interesse, gosto e… saudade. Também perguntou pelo miúdo, pela idade do miúdo, e se tinha mais filhos e que o dela era um ano mais novo… Não sei fazer conversa deste género. Podia ter perguntado coisas sobre ela, sobre o filho, sobre o homem, se eram marido e mulher, há quanto tempo estão em portugal a trabalhar mais de 12 horas por dia mais fins de semana. Só me ocorreu tudo isso depois, quando os vi sair, cansados, ansiosos pelo final do dia de trabalho. Nem sequer lhes ofereci uma bebida, ou uma fatia de bolo, restos de uma festa que por cá houve. Nem lhe perguntei o nome. Nem o do filho. Apetece-me reportar uma avaria no meo só para os ver regressar e corrigir a falta que agora sinto. Senti pena deles, gente de trabalho, e que trabalha bem. Devia era sentir pena de mim.

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