tenham a bondade

Uma viagem de metro pode ter horríveis destinos, um deles é encontrar horríveis pessoas todos os dias, como os cegos pedintes, deambulando, para cá e para lá, entre os extremos das carruagens. Alguns, talvez todos, dos poucos que têm a infelicidade de ler isto, acharão que é horrível dizer dos cegos que são horríveis pessoas. Não digo o contrário. Esperam que justifique, seria até admissível que o fizesse, ou expectável que agora perdesse o meu tempo e o vosso a justificar a tal afirmação. Assim como talvez fosse espectável que desvendasse aqui outro ou outros destinos aos quais podemos estar com a vida traçada numa viagem diária de metro. Lamento, mas vou apenas referir um segundo, mais horrível ainda porque mais normal, do qual por força das coisas não podemos fugir, a não ser que pensemos exactamente nestas coisas e nestas problemáticas vazias quando viajamos de metro, e ainda assim seria necessário que, esperando, que essa lei tão fantástica da inércia nos fizesse mover em contra ciclo ou em contra vida, e nos surgisse em nós moribunda de si própria, por uma fantástica força qualquer desconhecida como o destino, mas que não pudesse escapar do nosso controlo, contrariando assim esse outro, esse sim horrível, o de chegar sem mácula ao destino final da nossa viagem.

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