naturalidade

Vejo no jornal 2 uma menina, bonitinha, limpinha, a aliança brilhante, pulseira e relógio chamativos, cabelo curto aloirado com madeixas bem penteado, vestida de preto, casaco fechado, gola alta, (enfim, podia estar aqui a noite inteira a debitar sobre a menina, saída, quem sabe, talvez o ano passado de um curso de política internacional de uma qualquer universidade privada) a debitar o que ela sabe sobre a guerra em Gaza e sobre os bombardeamentos e sobre o conflito no médio oriente que ela diz que começou há 50 anos – o que já não é mau, pois podia ter começado apenas ontem -, e sobre o que vai fazer o Sr. Obama, e se o Hamas vai ser eliminado, e se Israel poderá aceitar um cessar-fogo (ora poderia agora Israel aceitar tal coisa!), tudo isto com uma imensa simpática naturalidade. A mesma naturalidade como a ouvi. A naturalidade de quem está longe. A naturalidade de quem dorme.

Anúncios

Os comentários estão fechados.