Não tens sono. Pensas na mulher que deixaste. Pensas no filho que desististe. No quarto ao lado o teu filho dorme. Olhas o tecto. A luz não te incomoda porque apagaste o candeeiro. A luz da noite entra pelas frinchas da janela. Já habituaste os olhos à ausência de luz. Ouves o vento. Pensas que vais acordar demasiado cedo, sempre antes do tempo. Pensas na tua vida. Pensas que não tens vida. Não existes. Tornas a ouvir o vento e pensas no outono e nas folhas. Pensas no largo coberto de folhas sob os teus pés. Pensas que eras feliz. Ouves o silêncio. Ouves o relógio ao fundo. Ouves um cão na noite.

O cão dá horas, um silêncio feliz tem um largo coberto de outono que já não existe na tua vida. O tempo tem cedo acordares de vento, e a luz da noite na janela deixa frinchas de tecto que te protege o teu filho, e o quarto desiste de pensar a mulher que deixou sem sono para ti.

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